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terça-feira, 21 de junho de 2011

Ataque à RSA: Advanced Persistent Threat?

O instinto de preservação é de nossa natureza. Tentamos sempre nos defender de ameaças, seja contra nós mesmos ou contra a que nos pertence, como nosso trabalho. Por isso desde criança nos justificamos tentando minimizar nossa responsabilidade em nossas falhas. Ao invés de reconhecer que não estudamos nosso primeiro ímpeto é dizer que a prova estava muito difícil. "Não foi minha falha, fiz tudo direito, não pude evitar o que aconteceu". 

A RSA, que teve seus sistemas invadidos, declarou que foi vítima de um Advanced Persistent Threat (APT). Acho esse negócio de APT uma bobagem, mas respeito a opinião de especialistas com uma visão diferente. Mas, francamente, há muita gente usando o termo da maneira que eu mais temia: como uma desculpa, e esfarrapada. 

Vejamos, como foi o ataque, ilustrado pela própria RSA. O hacker enviou emails de phishing a alguns funcionários contendo um exploit dia-zero dentro de um arquivo Excel que explora uma vulnerabilidade no Adobe Flash (CVE-02011-0609).

RSAAPTGraphic.png

Disseram que foi um APT porque os invasores conheciam a empresa, sua rede, funcionários e suas funções. Mas como alguém irá invadir uma empresa sem investigá-la? Desde quando um ataque direcionado é um APT? E desde quando enviar um phishing com um zero-day exploit é uma técnica avançadíssima? Por que não reconhecer o óbvio? Que o sistema anti-phishig, firewall pessoal e o treinamento dos usuários falharam? Ou que o phishing foi bem construído e burlou a segurança do email mas que um funcionário desatento não percebeu que um email com o título de "2011 Recruitment Plan" era uma armadilha? E por que o software de segurança da estação de trabalho do funcionário desatento não detectou o exploit? Por que não reconhecer que a empresa foi invadida por um método de ataque que existe há quase uma década? Pois é, a pior maneira de lidar com um problema é não reconhecê-lo. 

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Advanced Persistent Threat é uma bobagem

Conhecer o significado dos termos frequentemente esclarece muito sobre eles. Por exemplo, espresso (do café) é um termo em italiano que significa "preparado na hora especialmente para você". Podemos aplicar a mesma regra à última moda em segurança: Advanced Persistent Threat. Conhecer os termos esclarece o seu significado, que é nada.

Vejamos:
- Advanced: um ataque realizado com técnicas avançadas. Ora, avançado ou não depende do ponto de vista. Para um advogado ou para um especialista em pen test?
- Persistent: ataque persistente, prolongado. Não oportunistico.
- Threat: realizado por um grupo organizado de hackers.

Agora imaginem a cena: o CSO se apresenta ao CEO.

(CSO) - Chefe, todos os dados de nossos clientes foram roubados, mas não se preocupe pois não sofremos um APT.
(CEO) - Como assim?
(CSO) - Descobrimos que o ataque foi realizado por um hacker amador, que oportunisticamente invadiu nosso banco de dados. A boa noticia é que ele usou SQL Injection, uma técnica antiga que não consideramos avançada. O senhor não tem com o que se preocupar.