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quinta-feira, 8 de novembro de 2007

RFID é Seguro?

Uma das tendências apontadas para 2008 é o aumento de ocorrências de segurança nos sistemas de identificação por rádio-frequência ou RFID. Analistas já falam de vulnerabilidades nos sistemas de RFID há anos, mas só agora esse problema está chamando atenção, por certo acompanhando o crescimento das implementações de soluções nele baseadas.

Quais as ameaças associadas com sistemas RFID? Se os órgãos de trânsito realmente implementarem controle de veículos por RFID qual ameaças que os condutores estarão sujeitos –além é claro dos criminosos de plantão nas esquinas e sinais de trânsito? Quais as ameaças que uma empresa está sujeita quando controla estoque e logística por RFID? O assunto é extenso, como sempre é em segurança digital.

O primeiro erro de segurança em RFID é pensar que as vulnerabilidades são menores apenas porque o sistema é baseado em hardware (microchips). Como qualquer outro dispositivo de informática os microchips usados também podem ser tão vulneráveis quanto um software. Um fator de preocupação é que a indústria, na busca de chips mais baratos está simplificando-os, o que em conseqüência reduz suas funcionalidades de segurança. Os chips em geral são passíveis de infecção por códigos maliciosos com objetivos diversos, incluindo a invasão do servidor de banco de dados. O invasor para isso teria que possuir um rádio capaz de conectar-se aos chips, o que não é nada complicado de obter. Inclusive um especialista mostrou na RSA Conference que é possível invadir um chip de RFID usando um telefone celular dotado de rádio. Um microchip infectado poderia derrubar sistemas de controle de estoques em indústrias ou em supermercados. Nos Estados Unidos alguns aeroportos utilizam RFID para controle de bagagens ou cargas.

Outro problema é o de espionagem. O microchip pode ser lido por sistemas de rádio intrusos, que podem inclusive estar fora da empresa. Embora irrelevante para a maior parte das pessoas comuns, essa técnica pode ser usada como método eficiente de espionagem industrial.

Outra ameaça interessa diretamente aos usuários: privacidade. Não só os chips podem ser lidos por sistemas intrusos, como os bancos de dados com milhões de informações sobre os portadores de chips – gerando informações valiosíssimas para uso indevido. Imagine o banco de dados do Detran de sua cidade com todo o mapeamento do percurso utilizado por você diariamente.

Mais uma vez a diferença se dá na implementar. Implementar um sistema de RFID sem pensar em segurança desde o início é garantia de dores de cabeça e custos maiore depois, como em qualquer outro sistema de TI.

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Segurança na Web 2.0

Novas aplicações trazem novas ameaças. Essa é uma verdade universal em segurança da informação, e sempre que algo novo é lançado ela se confirma. Há cerca de quatro anos Tim O’Reilly cunhou o termo “web 2.0” para o que ele chama de revolução na indústria da computação pelo movimento para a Internet como plataforma. Essa última definição pode ser encontrada no link http://radar.oreilly.com/archives/2006/12/web_20_compact.html. Para os usuários, web 2.0 tem outros significados: abertura, colaboração e participação. Para os hackers e invasores de plantão, o significado é outro: oportunidade.

Há hoje alguma polêmica sobre o significado e impacto da web 2.0, mas é fato que um de seus componentes principais já é realidade hoje: a utilização da web, ou melhor, da plataforma web como plataforma para execução de software. É como se o navegador se tornasse o novo sistema operacional sobre o qual os sistemas são executados e com o qual interagem diretamente. Não é por acaso que o nome dado a essa plataforma é justamente Web Operating System, ou só WebOS. Também há muita discussão da definição correta de Web Operating System, no entanto há pontos que claramente definem essa plataforma:
  • Independência do sistema operacional (o aplicativo é criado para o WebOS e não para o sistema operacional)
  • Os WebOS são executados sobre o navegador, e não interagem diretamente com o hardware e drivers
  • O computador do usuário executa uma aplicação que “está na Internet” e não em seu computador.

Os riscos da web 2.0 são inerentes à própria plataforma. Apenas o fato de introduzir uma nova camada já traz um risco potencial, pois os hackers poderão utilizar essa nova camada como meio de acesso aos seus alvos, o que é aliás a maneira como qualquer invasor atua. Muitas pessoas acreditam que os hackers estão a margem da “sociedade digital”, como em uma espécie de submundo na Internet. Grande engano! Os hackers utilizam completamente a Internet e seus infindáveis recursos, assim como toda a tecnologia nela existente. Ou seja, qualquer serviço ou tecnologia existente serve tanto para fins benéficos como para fins maléficos. O correio eletrônico é o melhor exemplo: não precisamos proteger a infraestrutura de email contra tecnologias de invasão. Precisamos protegê-la contra ela mesma, contra suas vulnerabilidades e facilidades que permite o seu uso para o crime e outros propósitos.

Há alguns exemplos de ataques que se utilizaram da plataforma da web 2.0, e já documentados inclusive com plena cobertura da mídia. Um deles foi o worm Yamanner, lançado em junho de 2006. O alvo do ataque eram usuários do Yahoo Mail, que recebiam o worm codificado em Java Script em mensagens HTML. O script mal-intencionado era automaticamente processado e começava a enviar mensagens para os endereços cadastrados pelo usuário, entre outras ações de impacto limitado. Vejam que aqui o worm explorou diretamente uma vulnerabilidade no aplicativo do Yahoo, sem nenhuma dependência de sistema operacional da vítima. Outros foram o Samy e o Spaceflash que tiveram como alvo o MySpace, e atacaram usuários do site alterando o perfil deles e os incluindo como amigos do autor do ataque, entre outros.

Para piorar, mais do que usar a camada WebOS como meio de acesso, hackers vem utilizando os serviços de web 2.0 como ferramentas de trabalho para a criação de malware. O site GNUCITIZEN lista na página ao lado cinco serviços de grande utilidade para hackers. http://www.gnucitizen.org/blog/the-top-5-most-popular-web20-services-hackers-cannot-live-without. O site lista como os hackers estão usando o Yahoo Pipes, Dapper, Feed43, Zoho Creator e Google Reader em benefício próprio. Um exemplo o utilitário Jitko, uma ferramenta de varredura de vulnerabilidades para web sites. A diferença para as ferramentas tradicionais é que o Jitko é executado sobre o navegador, e não sobre o sistema operacional. Ou seja, é uma típica aplicação de web 2.0, baseada em WebOS. Ele pode ser embutido dentro de um web site e executar mesmo contra o desejo do proprietário do computador. Uma descrição da ferramenta está em http://www.zone-h.org/content/view/14660/31.

Um dos principais vetores de ataque é o AJAX, acrônimo para Asynchronous JavaScript and XML. O AJAX é uma das principais tecnologias existentes, e talvez a mais usada, para permitir a colaboração e interação nos web sites. A maneira como as aplicações são executadas no AJAX, com interações diretas entre o navegador, o servidor e outros web sites, permite que código e usos mal-intencionados sejam adicionados sem muita dificuldade, além da vantagem da execução de tais códigos ocorrer longe dos olhos do usuário. Quando é possível o usuário perceber algo, a aplicação já está rodando em seu navegador. Os ataques via AJAX ocorrem através de um velho problema, o cross-site scripting ou XSS. O cross-site scripting era considerada uma vulnerabilidade já equacionada, e a web 2.0 a resgatou dando a ela uma nova dimensão. Via cross-site scripting é possível ao invasor quase tudo, como roubar dados confidenciais, executar código arbitrário e até assumir o controle do computador do usuário.
Mas o AJAX não é infelizmente o único vetor de ataque. Outro bastante utilizado é XML, no que se chama de envenenamento de XML (Extensible Markup Language). A função do XML é justamente facilitar o compartilhamento de dados entre diferentes aplicações, o que inclui é claro as aplicações web. Pelo envenenamento de XML é possível provocar queda de serviço (DoS) ou executar código arbitrário no computador da vítima. Há ainda o chamado RSS Injection. RSS como todos sabemos é uma das coisas mais legais que a web 2.0 trouxe para os usuários: a possibilidade de mantê-los notificados de atualizações de conteúdo em seus sites preferidos. Mas há o lado negro: a possibilidade de embutir código Javascript mal-intencionado e executá-lo arbitrariamente no computador da vítima, permitindo por exemplo roubo de informação. Além destes há ainda riscos em SOAP, WSDL (Web Services Definition Language) e RIA (Rich Internet Applications). Todos são linguagens, protocolos, interfaces ou serviços que permitem a web 2.0 existir.

A existência de tantas vulnerabilidades novas, além do resgate de antigas vulnerabillidades, mostra o maior desafio para a segurança digital: ela sempre vem em segundo plano, seja no desenvolvimento de novas aplicações, seja na implementação dela por empresas usuárias. Depois que é tudo desenvolvido e instalado, e os problemas começam a aparecer, é que todos passam a pensar no assunto, como se não fosse algo possivel de prever com antecipação. É claro que a prevenção não resolve tudo, mas reduz bastante o problema. Depois de tantos anos lidando e sofrendo com ataques e o crime cibernético, poderiamos fazer com que a frase “novas aplicações trazem novas ameaças” deixasse de ser uma verdade inquestionável.

sábado, 6 de outubro de 2007

Previsões para 2008 (pela Universidade Georgia Tech)

Na medida que nos aproximamos de 2008 começam a aparecer análises de tendências para as principais ameaças para o ano. Uma análise apontando as cinco ameaças que seriam as principais para 2008 foi publicado pelo grupo de segurança da Universidade Georgia Tech (Georgia Tech Information Security Center). O relatório está disponível na página http://www.gtisc.gatech.edu/pdf/GTISC%20Cyber%20Threats%20Report.pdf e aponta as seguintes ameaças como tendência para 2008:
  • Ataques em web 2.0 e realizados no nível dos clientes
  • Ataques via mensagens de eMail
  • Botnets
  • Ameaças focando na convergência de mobilidade
  • Ameaças a sistemas de identificação por rádio-frequência (RFID)

Vale a pena dar uma olhada. Em especial nos próximos posts irei comentar as ameaças, e comparando as conclusões do grupo da Georgia Tech com a de outros analistas.