Há algum tempo, um post no blog da Errata Security chamou minha atenção. Com o sugestivo título de “Cyberspyes #2” (http://erratasec.blogspot.com/2009/04/cyberspies-2.html), o autor comentava sobre uma notícia falsa, uma barriga no jargão do jornalismo, publicada nos dias 8 e 9 de abril, sobre supostas invasões à rede de distribuição de energia elétrica dos Estados Unidos por espiões russos e chineses. A notícia saiu em midias importantes dos Estados Unidos: Wall Street Jornal, BBC News, Reuters e CNN. Como a característica principal da Internet é a velocidade da informação, comprometendo obviamente sua qualidade, a noticia foi replicada em diversos blogs e sites mundo afora. A revelação da barriga saiu da própria comunidade de segurança, incluso de profissionais independentes que são contratados para testar os sistemas de infraestrutura norte-americanos.
Notícias sobre invasões digitais e cyberwar saem a toda hora, há muitos anos. Algumas são verídicas, outras simplesmente alarmistas. Mas nessa história da suposta espionagem à rede elétrica dos Estados Unidos, o artigo mais interessante foi publicado ainda em abril no site do Economist (http://www.economist.com/opinion/displaystory.cfm?story_id=13527677). Nele o jornal discute a possível origem da notícia falsa: uma disputa interna entre diferentes órgãos de segurança interna dos Estados Unidos por espaço e fundos dentro do novo orçamento que o governo Obama irá definir para segurança digital. Caso o Economist esteja correto, essa versão é mais assutadora que a notícia de espionagem e vulnerabilidade da infraestrutura do país mais poderoso do mundo. Os próprios responsáveis pela segurança nacional estariam plantando notícias, e imagina-se o que mais, para desfrutar de mais poder e dinheiro.
Alguns dias antes desse fato, a CNN publicou um artigo sobre as vulnerabilidades do “Smart Grid”, a rede de distribuição elétrica inteligente, iniciativa criada para reduzir custos e aumentar e eficiência do sistema. O objetivo do Smart Grid, uma iniciativa em escala global, porém prioridade do governo dos Estados Unidos, é modernização das redes de transmissão e distribuição de energia através do emprego de uma série de equipamentos e software. O título do artigo “Smart Grid pode ser vulnerável a hackers” soa um tanto óbvio para especialistas de segurança, e possui um tom alarmista desnecessário. A modernização via o Smart Grid irá adicionar novas vulnerabilidades ao sistema que controla energia, seja qual for o país que o implemente, não porque seja ruim, mas porque qualquer sistema de informática ou transmissão de dados possui vulnerabilidades, tal qual redes de telefonia VoIP, internet banking e votação eletrônica. O fato desses sistemas possuirem vulnerabilidades não significa que não devam ser usados, e sim que devem ser implementados controles para mitigar o risco dessas delas serem exploradas. Alardear que a implantação deve ser retardada até que suas vulnerabilidades sejam sanadas não faz nenhum sentido. Se fôssemos seguir a regra não teriamos hoje em dia nem a web mais básica.
Então sempre é bom recordarnos de alguns conceitos elementares, que nunca ficarão obsoletos:
1. Qualquer sistema de informática possui vulnerabilidades
2. Qualque sistema possa ser invadido por alguém que possua conhecimento, acesso e motivação para tal. Não há sistema 100% seguro.
3. Risco é o resultado da equação vulnerabilidades x ameaças x valor do ativo. Portanto o aumento do nível de vulnerabilidades não significa que os riscos serão aumentados irremediavelmente. Novas vulnerabilidades são compensadas por controles que reduzem a exposição a ameaças.
4. Se o dito ativo ou sistema não possui valor, e não pode ser usado para invadir outros sistemas, esqueça. Não desperdice dinheiro com ele.
5. O guia dos investimentos deve ser o valor dos ativos. Identificando-se os ativos mais importantes deve-se atuar sobre vulnerabilidades e ameaças.
Esses fatos são uma boa oportunidade para procurar em nossas empresas ocorrências semelhantes. Boas idéias não devem ser descartadas somente porque possuem riscos. Estes devem ser tratados. É função da área de segurança procurar o equilibrio e indicar o caminho com menor risco para implementar a idéia. Normalmente boas idéias estão associadas a bons negócios e uma má implementação, não segura, pode simplesmente destrui-la. Assim a área de segurança se torna uma peça fundamental para os negócios de qualquer empresa: viabilizar seus negócios através de meios digitais. Qualquer coisa diferente disso é paranóia inútil. Por outro lado, ignorar a importância das medidas de mitigação de riscos, portanto da área de segurança, nos novos negócios e implementações, achando que as tecnologias tem a segurança nelas embutidas é achar que o mundo é cor de rosa. Pura inocência.
Uma das coisas que mais atrapalham a implementação bem sucedida de controles de segurança são as disputas entre departamentos, muito similar às disputas entre os órgãos do governo americano. Elas, além de nada ajudar, ainda pioram a situação porque ajudam a manter abertas vulnerabilidades que podem ser exploradas, as janelas de oportunidade dos hackers. O nível de segurança e vulnerabilidade deve ser divulgado como é, nem a mais, nem a menos. Esconder vulnerabilidades ajudam invasores, sejam programas ou pessoas, já que as falhas omitidas não são corrigidas. Disputas internas quase sempre levam a empresa a gastar onde não deve, com prioridades erradas.
Os artigos refletem a opinião pessoal do autor, e não de seus empregadores.
terça-feira, 7 de julho de 2009
sábado, 4 de abril de 2009
Protegendo ambientes virtuais
Para aqueles que estão pensando em iniciar um projeto de virtualização de servidores com segurança, recomendo uma lida no artigo de Ricky M. Magalhaes publicado no site da WindowSecurity. A data é de 30 de Abril de 2008, mas está atualizadissimo. Segue o link: http://www.windowsecurity.com/articles/Security-Virtualization.html
sexta-feira, 20 de março de 2009
Contra-ataque e ética.
A Network World publicou essa semana um artigo muito interessante de M. E. Kabay, "Kraken the botnet: The ethics of counter-hacking" ( http://www.networkworld.com/newsletters/sec/2009/031609sec1.html?tc=sec ) onde o autor discute a ética do contra-ataque usando um fato ocorrido na Tipping Point, cuja direção não permitiu que seu grupo de pesquisa criasse uma ferramenta automática de limpeza do bot Kraken, o qual iria eliminar o programa malicioso de milhares de computadores infectados, porém sem avisar o usuário. Vale a pena a leitura e pensar no assunto.
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